quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

E tem gente que ainda fala mal do Pelé !...

Vejam só este depoimento de uma jornalista brasileira em Londres:

BLOG DA BIA
God save the King! (Deus, salve o Rei !)
Beatriz Andrade (*)

Sempre achei as figuras de rei e rainha totalmente incompatíveis com a modernidade. Tanto que toda vez que olho a rainha Elizabeth, não consigo entender qual o seu sentido em pleno século 21. De qualquer maneira, deixo para os ingleses a árdua tarefa de explicar o significado da rainha. Prefiro falar de outro tipo de majestade...

Quando soube que Pelé viria à Inglaterra participar do 150º aniversário do clube mais antigo do mundo, o Sheffield FC, pensei que essa seria a melhor oportunidade de conhecê-lo, apesar de estarmos muitas vezes no mesmo lugar e pelo mesmo motivo: na Vila Belmiro, vendo o Santos jogar. Ele da sacadinha, popularmente conhecida como camarote, e eu da arquibancada.

Entrei em contato com o clube inglês me apresentando como uma jornalista free lancer e me colocando à disposição, caso eles precisassem de alguém que falasse a mesma língua do grande convidado da festa. Durante dois dias, não obtive resposta e me perguntava se valeria à pena me mandar para Sheffield como “convidada surpresa”. No entanto, na noite de terça-feira, horas antes do evento, recebi um e-mail do clube, dizendo que eu estava na lista de imprensa para os eventos de quarta e quinta-feira.

Deixei Liverpool na manhã da quarta-feira e o primeiro evento com Pelé aconteceria às 14 horas e 50 minutos. O trem demorou mais do que as duas horas previstas e, com isso, tive que correr para descobrir onde ficava o hotel, me trocar e ir para o Brahmal Lane, estádio do Sheffield United. Mesmo tendo convencido o taxista a acelerar (a causa era nobre), chegamos ao estádio às 14 horas e 55 minutos. Só que a estrela da noite também é brasileira e Pelé foi a primeira pessoa que encontrei, ainda no estacionamento. Aproveitei que ele dava autógrafos para algumas crianças e tirei minha camisa do Santos da bolsa, para que ele assinasse.

- Obrigada por tudo o que você fez por esse clube.
- Ah, de nada! Qual o seu nome?
- Bia.
- Olha, coloquei até com amor, hein?!

Na primeira entrevista coletiva, junto com os outros os dirigentes, sentei na primeira fila, de cara com o Pelé. O mediador deu 10 segundos para que os fotógrafos tirassem fotos e, neste momento, com o barulho das máquinas e os intermináveis flashes, me dei conta: “este homem aqui na minha frente, sorrindo da situação é o maior jogador de todos os tempos”.


Depois das apresentações, hora de passar a bola para o Rei que, na minha opinião, já começou marcando um golaço.

- My English is good but I prefer to speak in Portuguese and use my interpret (Meu inglês é bom, mas eu prefiro falar em português e usar meu intérprete), disse dando risada.

Ao anunciar que daria a entrevista em português, Pelé colocou rei e peões em seus devidos lugares. Na Inglaterra, rola um comodismo em aprender outras línguas, afinal, eles falam a “língua do mercado”. Além disso, ainda há muita gente que pensa que no Brasil fala-se espanhol. No entanto, naquela sala, em português, dezenas de jornalistas ouviram Pelé falar, em português, da sua gratidão ao esporte que tudo lhe deu, desde os tempos em que seu pai, Dondinho, jogava bola. O rei ainda lembrou de sua primeira visita a Sheffield, junto com o Santos, em 1962, levando 49 mil pessoas para um jogo amistoso, em Hillsborough, contra os donos da casa, Sheffield Wednesday, potência da época, que hoje disputa a segunda divisão inglesa. Na ocasião, o Santos venceu por 4 a 2 e Pelé marcou um gol de pênalti.

Após 43 anos, Pelé estava de volta a Sheffield, no berço do futebol profissional, batizando um torneio que levava seu nome. O “Pelé Challenge”, disputado por equipes sub-17 de clubes como Manchester United e Porto, teve como único representante brasileiro o São Paulo Futebol Clube. A cena de Pelé segurando a camisa número 10 do São Paulo, com o seu nome gravado, revoltou os torcedores santistas. Mas, apesar de não desfrutar de um bom relacionamento com a atual diretoria santista, Pelé, em diversas oportunidades, deixou transparecer seu amor pelo clube onde construiu sua história.

- Me sinto honrado por ter um torneio levando meu nome. Eu só sinto um pouquinho porque o meu time, o Santos Futebol Clube, deveria estar aqui, mas o Kevin (presidente do Sheffield United) não convidou.

Em um jornal da cidade, havia a falsa informação de que o Santos aposentou a camisa 10, eternizada por ele. Ela não só não foi retirada, como, semanas depois, foi usada para homenagear o zagueiro Antonio Carlos, atleta de pouca relevância na história do clube e que já trabalhava nos bastidores do rival, Corinthians.

Terminada a primeira parte de entrevistas, pedi para que tirassem uma foto minha com o Pelé ao fundo, ainda sentado na bancada. Só que Pelé, mais rápido que o fotógrafo, levantou-se e veio ao meu lado, me abraçando para tirar a foto.


“Vou tirar uma foto com a brasileira!”


Hora de atender a imprensa escrita. Ao redor de Pelé, cerca de 15 jornalistas de diversos lugares do mundo. Dos britânicos, perguntas do tipo “O que você acha do Steve McClaren?”, “O Beckham vai conseguir jogar um futebol de alto nível pela seleção, jogando a liga americana?”, “A Copa de 2014 no Brasil será um risco?”. O filho do presidente do Sheffield United interrompeu, pedindo que as perguntas fossem relacionadas ao evento.

Pelé há muito tempo, o velho Edson sabe muito bem como lidar com os jornalistas. Aparenta certa ingenuidade e despreocupação com formalidades. Dá risada quando não entende uma pergunta e pede para seu tradutor explicar. Mas basta o assunto ser religião, Ricardo Teixeira ou qualquer outra coisa que possa gerar polêmica, para que Pelé leve as perguntas para o lado que deseja e, quando menos espera, o entrevistador já foi driblado. Tudo isso para tentar evitar que suas palavras apareçam fora de contexto nos jornais. E mesmo dando respostas “em cima do muro”, ele não escapou disso. Quando perguntado o que achava da candidatura da Inglaterra para sediar a Copa do Mundo de 2018, Pelé disse que o país estava preparado para receber o torneio, assim como diversos países europeus, e que a disputa seria dura. Nos jornais do dia seguinte, as manchetes eram “Pelé apóia a candidatura da Inglaterra para 2018”.

O evento também comemorava a chegada das primeiras regras do futebol à cidade e, ao ser perguntado qual a regra do futebol de hoje que ele gostaria que fosse mudada, Pelé deu uma resposta interessante:

- Eu tiraria a barreira do futebol. O cara dribla o time todo e, quando chega perto da área, o último homem te derruba. Aí voltam todos para trás da linha da bola e você precisa passar por eles novamente. Não é justo!




Ao final do primeiro dia, todos os jornalistas presentes fizeram fila por um autógrafo ou uma foto ao lado do ex-jogador. No segundo, com a presença do público nos eventos, Pelé esteve sempre rodeado por dezenas de pessoas. Todos queriam chegar perto do rei, que tratava, principalmente, as crianças com muita simpatia e atenção.

Em seu último compromisso, o pontapé inicial do amistoso entre Sheffield FC e Internazionale de Milão, Pelé encheu as arquibancadas do Brahmal Lane. Quando sua presença foi anunciada, todos o aplaudiram de pé, enquanto ele arriscava uma volta olímpica, distribuindo beijos e acenos.

Desses dois dias ao lado do Rei, me impressionou seu enorme carisma. Deve ser muito chato ser Pelé fora de campo. Ter de responder as mesmas perguntas em qualquer lugar que vá. Ter que apertar mãos famosas ou anônimas a todo instante. Sorrir, posar para fotos, ser simpático o tempo todo... E Pelé parece tirar tudo isso de letra, sempre demonstrando muita simplicidade.

Dentro de campo, deixo a definição dada por Zito, seu companheiro de seleção e de Santos, que costuma dizer que o jogador melhor do que Pelé já nasceu morto. Fora dele, fica a foto (ruim, por sinal) da única bandeira hasteada no estádio de Bahmal Lane, em Sheffield, durante os dias em que Pelé esteve lá; a bandeira brasileira. Coisa de rei...

(*) Beatriz Andrade é uma notável Jornalista e atualmente está realizando uma pós-graduação na Inglaterra

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Mais uma atitude vergonhosa da Rede Globo

Depois de quase "decapitar" técnicos e jogadores nas entrevistas coletivas somente para impedir que a marca dos patrocinadores apareça, agora eles resolveram ignorar um time da copa São Paulo. Leia a reprodução da matéria e entenderá:

QUINTA-FEIRA, 17 DE JANEIRO DE 2008 - 17h43
Globo "cria" time na Copinha
Da Máquina do Esporte
São Paulo

Preocupada em não citar o nome de uma empresa em suas transmissões e programas jornalísticos, a Rede Globo se viu obrigada a mudar o nome do Pão de Açúcar Esporte Clube, do Grupo Pão de Açúcar, no jogo contra o Santos pela Copa São Paulo de Juniores.

Em nenhum momento da transmissão, realizada ao vivo pelo canal Sportv2 na tarde desta quinta-feira, a emissora tratou o clube pelo seu nome correto. Sempre foi usada a sigla PAEC para se referir ao time.

Em determinada ocasião, o narrador cheogu a dizer que o clube era parte de um projeto mantido por uma empresa de supermercados, sem citar o nome do Grupo Pão de Açúcar. Antes do início do confronto, inclusive, a emissora ignorou o símbolo do clube, que é igual ao da rede de supermercados, ao divulgar a escalação da equipe.

Além da omissão na TV, a atitude se repetiu no portal Globo.com. Durante a transmissão em tempo real da partida, a referência ao clube sempre foi PAEC. O símbolo do time, porém, foi exibido pelo portal.