quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Business

Surfe, um bom negócio
Por
Tiago Dias em 10/09/2007 16:01

Durante muito tempo, o surfe teve uma péssima imagem. Surfistas eram discriminados, considerados vagabundos, sujos e drogados.

No entanto, nos últimos anos as coisas mudaram de figura; a indústria relacionada ao surfe proliferou e a imagem negativa do surfista mudou.

Hoje em dia existem cada vez mais adeptos e admiradores do esporte, desde crianças a idosos. Por exemplo, na Austrália é comum ver as três gerações de uma família indo juntas pegar onda.

Por volta dos anos 50 aos 70, apesar de muitas pessoas discriminarem o esporte, o surfe já conquistava alguns adeptos.

Alguns deles, apaixonados pelo esporte, resolveram ir contra a os conceitos da sociedade, resolvendo ter o surfe como estilo de vida e meio de sustento, criando assim as primeiras empresas (marcas) de surfe.


Através dessas empresas e suas marcas, começaram a transmitir a essência do surfe como esporte e estilo de vida, conquistando mais simpatizantes para o esporte e, conseqüentemente, mais consumidores para seus produtos.

Com o aumento das vendas e dos lucros (assim como da competição pelas vendas) as empresas de surfe começaram a investir mais em marketing (patrocinando campeonatos e surfistas, fazendo publicidade em revistas e produzindo de filmes de surfe), criando uma nova imagem do surfe, tornando-o um negócio lucrativo e em rápida expansão.

Para se ter uma idéia, em um artigo na ‘The Australian’, Guyet (2002:27) citou vendas de 40 bilhões de dólares australianos (aproximadamente 56 bilhões de reais) na indústria de surfwear (roupas de surfe).

Hoje em dia, ao contrário de antigamente, pessoas admiram o surfe e até investem seu dinheiro em empresas de surfe. Como exemplo, a Billabong, uma das mais valorizadas marcas australianas, tem seu capital aberto na Bolsa de Valores e proporciona um investimento seguro e rentável para seus investidores.

A mesma apresentou um bilhão de dólares australianos em vendas e um lucro líquido de A$145.9 milhões no ano fiscal australiano de 2005 / 06.

O crescimento do surfe e sua imagem é tão evidente que até empresas que não têm origem do surfe estão migrando para esse mercado.

A Oakley, empresa especializada em óculos, é um exemplo disso. Está investindo alto no esporte e já possui uma linha bastante variada em roupas e acessórios para o surfe.

Mas o mundo dos negócios do surfe não se resume somente a surfwear. Um grande crescimento ocorreu também em empresas especializadas em equipamentos e acessórios, mídia (revistas, filmes, livros e internet) e turismo.

Atualmente existem várias revistas especializadas, websites de notícias e previsão de ondas, amplo número de vídeos lançados anualmente e vários livros relacionados ao surfe encontram-se nas prateleiras de livrarias.

Uma grande evolução na variedade de equipamentos e acessórios também é percebida, como evolução no sistema de produção de pranchas, grande variedade de quilhas, aperfeiçoamento das roupas de neopreme, assim como boa variedade em acessórios para viagem.

Além disso, com o aumento de surfistas em busca da onda perfeita, o número de empresas especializadas em viagens para surfistas, ‘surf campings’ e ‘boat trips’ multiplicou-se e continua crescendo cada vez mais.

Finalmente, nós, surfistas, não somos mais os vagabundos que as pessoas pensavam na época dos primeiros adeptos do esporte.

Além de surfistas profissionais, empresários e outros surfistas que vivem diretamente do esporte, muitos surfistas são médicos, advogados, doutores, administradores, professores, economistas, etc. Enfim, somos pessoas respeitadas e admiradas por praticar o esporte milenar dos reis havaianos.

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